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Sobre consumo e compromissos

6 dez
Cena do filme "Confessions of a Shopaholic"

Cena do filme “Confessions of a Shopaholic”

Quem é vivo sempre aparece, mas fim de semestre é literalmente o FIM, pelo menos ninguém viu eu e a Mel arrancando os cabelos, em contrapartida muitas pessoas presenciaram nossa linda carinha de “fui dormir às 3:00 e acabei de acordar super atrasada pra aula”, mas faz parte, pelo menos ninguém nunca me disse que seria um mar de rosas.

Esses dias eu assisti o filme Os Delírios de Consumo de Becky Bloom – não, eu nunca tinha assistido. Confesso que não é bem o tipo de filme que eu gosto, mas todos temos aquele dia que queremos um filme só para rir e passar o tempo, esse foi o meu. Mas apesar de parecer uma comédia romântica boba e engraçadinha, o filme trata diretamente de um assunto, até mesmo, delicado: o consumo descontrolado. E não só isso, também mostra como a perda do controle financeiro pode ser muito rápida e que pra voltar depois pode ser muito difícil.

Estamos cercados de táticas de Marketing e objetos (roupas, decoração, etc) de design maravilhosos, queremos comprar e parece que não ficamos saciados nunca. É o vestido, o sapato que combina com o vestido e a bolsa e os brincos e enfim: quanto mais compramos, mais queremos comprar. Parcela aqui, parcela ali. Quando vemos nosso salário inteiro se foi. Mas não quero falar sobre controle financeiro – não hoje – quero falar sobre outra situação que o filme mostra: algumas vezes (ou várias) Becky se atrasa ou perde compromissos por causa da sua necessidade de consumo, ela chega ao ponto de quase perder a amizade da melhor amiga por conta disso. 

Qual a nossa insegurança? Ela é assim tão grande? Quem nunca entrou numa loja só pra ver uma coisinha e se atrasou no mínimo meia hora para um compromisso? Quem nunca deixou alguém irritado porque estava passeando mas não resistiu em não comprar uma blusa que estava na vitrine?

Nós estamos tão focado na idéia de imagem e no desejo impulsivo e compulsivo, que esquecemos e deixamos de prestar atenção nas situações ao nosso redor, andamos na rua observando as vitrines e não as pessoas, perdemos situações inusitadas, perdemos um sorriso de um estranho, deixamos de prestar atenção em conversas. Não queria entrar em questões sociais, mas esquecemos que enquanto entulhamos nosso armário cada vez com mais roupas, tem gente que usa a mesma todo dia, gente que não tem o que comer.

Nosso ego é assim tão grande?

O fato é: temos colocado roupas – ou outros itens – quase que em nossas necessidades primárias, se é que já não estão, por um lado esses estão sim nesse patamar, mas estou falando de compras apenas por desejo e impulso. No filme, Becky Bloom nos mostra o valor das coisas, sutilmente, no meio de risadas. Nunca pensei que fosse tirar lições de moral de uma comédia romântica.

xx, Lu.